
Esconjuro
Leila Pinheiro
Rituais de proteção e identidade em “Esconjuro”
A música “Esconjuro”, de Leila Pinheiro, transforma o desencanto amoroso em um verdadeiro ritual de proteção, recorrendo a símbolos do folclore brasileiro como a figa, o galho de arruda e o pé de coelho para afastar o sofrimento. O termo “esconjura” — que significa exorcizar ou afastar maus espíritos — reforça a ideia de que o amor, quando se torna fonte de dor, precisa ser expulso da vida, assim como se esconjura um mal. Essa busca por proteção espiritual aparece em versos como “Já fiz uma figa / Talvez eu consiga parar de sofrer” e “Um galho de arruda / Madrinha, me ajuda a parar de sofrer”, conectando elementos místicos à tentativa de superar a desilusão amorosa.
A letra também aborda a dualidade entre o sagrado e o profano, o cotidiano e o mítico, ao citar figuras como “diabo de vigário” e “urubu no campanário”, ambos associados a maus presságios na cultura popular. Além disso, há uma crítica social presente em “Cabocla sem vestido / No chicote do marido, erê / Moída de pancada, sem razão”, denunciando a violência doméstica e a injustiça. O refrão “O amor, quando jura / A gente esconjura, pois não vai render” resume o sentimento de autopreservação diante do sofrimento, enquanto o verso final “Traz o Brasil de volta pra canção” sugere um resgate das raízes culturais como caminho para a cura e reafirmação da identidade.
O significado desta letra foi gerado automaticamente.




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