exibições de letras 199

Adaga, Faca, Xerenga

Leopoldo Rassier

Letra

    Fui adaga quando moço, ventena à maneira antiga;
    hoje velho sou xerenga, desgastada pela vida.
    Me falta o calor do abraço de alguma guaiaca amiga.

    Quando moço, fui adaga, manejada com destreza;
    mas o tempo e a natureza modificaram meu porte;
    virei faca de bom corte, ganhei bainha de couro,
    também dois anéis de ouro enfeitando o cabo de osso.
    Larguei das artes de moço, me aquerenciei na cintura.

    Como faca fiz reparos no que a adaga fez de mal,
    lotei de charque o varal, fiz todo o ofício crioulo;
    até que o tempo, rebolo, me deixou meio capenga:
    de cabo e fio rebentado, eu passei a ser xerenga,
    eu passei a ser xerenga de cabo e fio rebentados.

    Já não “desquino” mais tentos, meu inverno está mais frio;
    e se a bainha sumiu, me “rebusco” na experiência;
    e apesar de eu ser xerenga, sou chuva, sol, sou semente,
    gente ensinando a ser gente, a plantar pátria e querência.
    gente… pátria… querência…

    Composição: João Batista Machado / Julio Machado. Essa informação está errada? Nos avise.

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