Rei do Beiradão
Liliane Gorete
No Iranduba afamado, no Lago do Limão começou
Nasceu curumim levado
Com alma de artista e cantor
Adail Raimundo foi logo batizado
O curumim arteiro, lampeiro
Abençoado, viveu, cresceu
Na proa da canoa e remo na mão
No rebojo do rio a cantar
Cantigas pra natureza escutar
O talento achou a essência e raiz
O nome Mesquita do pai adotou feliz
No peito caboclo, a música gritou
Hadail Mesquita sonhou
Bem ali surgiu o cantor
E o fã de Chico Caju estourou
É quando a noite cai e a Lua beija o chão
A guitarra geme, o teclado grita: Tem festa no interior
Tem mistura cultural de um povo que sonha
Ancestralidade cabocla da nossa Amazônia
É energia cabocla a fluir, o som risca o céu
É Hadail Mesquita na terra cantando beiradão
É parente raiz, ele faz tremer o chão
Ele é meu, ele é seu, é do lago, é do rio
É do povo, é da gente, esse caboclo é de Deus
O Iranduba ele levou pro Brasil conhecer
É som do beiradão, pega visão
Foi pra lá pra mostrar e balançar
Aqui ele é rei
É rei do beiradão, ilustre filho honrado
Do Lago do Limão
Chora sax, que o peito faz tum, tum, tum
A batida é forte, é som arretado
Aqui é como é, o povo já sabe, tem festa na sedia
É festa do interior, moça bonita se enfeita
Que o rei do beiradão chegou
É magia cabocla, faz a alma sonhar, o som dessas
Paragens traz vida pro lugar, jamais morrerá, vai
Virar lenda e pro coração eternizar



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