
El Desdichado II
Lobão
Melancolia urbana e identidade em "El Desdichado II"
Em "El Desdichado II", Lobão parte da referência direta ao poema de Gérard de Nerval para criar uma reflexão sobre a melancolia e a sensação de abandono em um contexto brasileiro. A autodefinição "Eu sou o tenebroso, o irmão sem irmão, o abandono, inconsolado, o sol negro da melancolia" mostra como o artista adapta o sentimento existencial do original para um ambiente urbano, trazendo à tona uma tristeza profunda e uma busca por identidade. Expressões como "sol negro da melancolia" e "calma sem alma" reforçam o tom sombrio e introspectivo da música.
A presença de Exu, entidade do candomblé ligada à comunicação e à travessia de caminhos, insere elementos da cultura afro-brasileira e amplia o sentido de identidade fragmentada. Lobão constrói uma figura que transita entre poder e vulnerabilidade, ao se autodenominar "o sub-do-mundo", "a malandragem que resvala de mão em mão" e "a bala que voa pra sempre, sem rumo, perdida". Essas imagens evocam marginalidade, sobrevivência e violência urbana, sugerindo uma existência marcada pela exclusão e pelo risco constante. O verso "traficar o meu futuro por um inferno mais tranquilo" explicita a negociação entre esperança e resignação, típica de quem vive à margem. No final, a sensação de ser exposto e silenciado pela sociedade aparece em "os jornais que me gritam, me devassam e me silenciam", reforçando o sentimento de alienação e invisibilidade que atravessa toda a canção.
O significado desta letra foi gerado automaticamente.



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