
João
Loulu Gilberto
São tantos e tão poucos
Têm noção
De como se inaugura uma nação
Não é bem com monumentos
Ou com balas de canhão
É quando uma brisa bate na respiração
E entra no juízo de um João
Que dedica todo empenho
E amor ao seu engenho
Para arejar os cantos da canção
E dar sentido à nossa sensação
Milhares de partículas no ar
Reviravoltam numa vibração
Para nos dar sua bênção
Para nos tirar do chão
Como se a rotação da Terra fosse então
Essa voz e esse violão
Quando uma só pessoa
No silêncio aperfeiçoa
Toda a multidão escuta o coração
E se torna civilização
Toda a multidão escuta o coração
E se torna civilização




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