Exibições da letra 18

Alavantú

LPO

Letra

    Pra afastar mau-olhado, espírito mal-encarado
    Toca fogo na fogueira, tem festa lá no terreiro
    O fogo já bate no céu, valêi-me, minha Santa Isabel
    Será se Maria já sabe que Seu João já nasceu?

    Vai, taca xaxado no Alavantú
    Meu povo pra frente, sem medo nenhum
    Apesar de toda tuas histórias
    De tantas lutas, de poucas glórias
    Segue potente, Nordeste da gente
    Nordeste de gente, berço do Brasil
    Mas pouco se fala, não falam aqui
    Quem que ouviu dos cabra mais brabo
    Os bravos construindo e levando o Brasil no braço?

    Você sabe, mas não atura
    Nordeste berço do Brasil
    Nordeste, berço de cultura, isso sim, Senhor
    Real cultura vem do interior
    De dentro pra fora, vem lá do Sertão
    De toda mazela sofrida
    Trilhas percorridas em busca de vida, de água e de pão
    Eles se encabulam
    Meu Deus, quanta arte que vem do Sertão

    Mandam parar, empatam, não passam
    Mas por aqui, não Aqui não
    Por isso eu vou falar bem baixinho
    Pois falam que sou maltrapilho
    Flagelado vindo do Sertão
    Não me cabe nas capital
    Querem nos calar com ração
    E se for falar alto
    Volta pros currais, pros campos de concentração

    Recolhe o meu povo no anarriê
    Repensa, refaça, reforça, ré, ré
    Retirantes reprisam, repetem de novo suas rotas
    Tipo um cururu no pulo
    Tibungo, pinota de novo pro Sul
    Ou pras capital
    Mais um sertanejo em busca do ensejo
    Pelejo, quero o meu real
    Mas acho que nada vem sendo real
    Nada foi real ou tudo é real?

    Arte distorcida por alguns real
    Nunca inserida em grande festivais
    O que que mais resta pro artista local?
    Se inscreve de novo lá no edital
    Daí conta um ponto de onde cê vem
    Tem desconto se eu conto e não bate, eu reconto
    Mas quem conta um conto sempre aumenta um ponto
    Menino, é tanto míngüe nem te conto

    Tome bafulê
    Mas eu proponho um maculelê
    Balacobaco, arrasta-pé
    Xaxado de bucado, dá câimbra no pé
    Dou-lhe sébada no coco
    Naqueles que nem aguentam nem meia hora
    Em sala de reboco
    No bole-bole ficam louco
    Menino, tem gente que até estranha
    Essa nossa arte que vem das entranhas
    Que corre no sangue e na alma inflama
    Doce que nem cajuína

    Alastra no mundo e muitos contaminam
    Aqui não tem quem não goste
    Pedacinho de mundo
    Muito melhor que cheiro no cangote
    A fé do meu povo é forte
    Quantas grandes secas já foram enfrentadas?
    Quantos foram os corpos caídos nas estradas?
    De lutas vencidas, lutas derrotadas
    Nunca desistidas, sempre enfrentadas

    Nordestino nato, diga-lá que eu sou
    De bater no peito com orgulho e amor
    Rap que vem do repente, nunca de repente
    Por mim, por minha gente, meus pais, meus avós

    Chega mais, meu povo, vem pra cá pra ver
    Cultura nordestina é minha, é de você

    Chega mais, meu povo, vem pra cá pra ver
    Essa cultura é linda, é minha, é de você

    Chega mais, meu povo, vem pra cá pra ver
    Cultura nordestina é minha, é de você

    Então bata no peito com toda razão
    Sei de onde eu vim, sei minha direção

    Porque eu bato no peito com toda razão
    Nordeste, minha casa, meu berço, meu chão


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