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LetraSignificado

    “Iodo” e o sal como memória, dor e força ancestral

    Em “Iodo”, Luedji Luna transforma o mar em abrigo e ferida: o iodo que cura também queima. Na letra escrita por Tatiana Nascimento, a travessia atlântica vira memória corporal. O arco vai da imersão ao naufrágio: “Me arde o sal / me afoga o mar / me afunda o mar / me morre o mar” até “me a funda dor / fundo de nau / funda dura tumba escura”, imagens do porão do navio negreiro e da diáspora forçada (“É todo roubo / Colonial”). O jogo “Orí (cabeça/destino) zonte é todo sal” encosta horizonte e Orí, sugerindo um destino negro moldado pelo sal. A fricção sonora em “funda turva escura dura” intensifica ardor e sufoco, enquanto a repetição encena o balanço do mar e o peso histórico.

    A canção torce a linguagem para nomear violência e fuga: “Egungun (ancestrais) / bom (de voar) / e evadir a turba alva / aos tubarões y (e) os porões” associa proteção ancestral à necessidade de escapar do cativeiro; “mergulhar / y (e) naufrágio / y (e) now (agora) frágil” marca a fratura identitária da diáspora. “O mágico da diáspora: Des / Membrar terra-chão” traduz o desterro como desmembramento. O ponto de virada vem com a potência ancestral: “Mas se eu já fui trovão… eu sei ser / Trovão”. O chamado “Epahey oyá!” (salve, Oyá!) invoca Iansã, orixá dos ventos, reforçando a tempestade que varre e reorganiza. Nem o capataz, nem a solidão, nem “estupro corretivo contra / Sapatão” quebram essa energia.

    A denúncia mira as engrenagens do controle racial: “hospício é a mesma coisa que presídio / escola é a mesma coisa que prisão” expõe continuidades institucionais, e “as políticas / uterinas / de extermínio” lembram o ataque à vida negra. As referências concretizam o genocídio: “Arrastarem / Cláudia / pelo camburão”, “Caveirão”, “111 tiros contra 5 corpos”, “111 corpos / mortos / na prisão”. Ao final, a afirmação “Eu sei ser / Trovão / E nada / Me desfaz” afirma um horizonte de poder que funde ancestralidade iorubá, metáforas do mar e uma sonoridade afro-brasileira com ecos de jazz e R&B.

    Composição: Tatiana Nascimento. Essa informação está errada? Nos avise.

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