
O Andarilho
Luiz Gonzaga
Desilusão urbana e resistência em "O Andarilho" de Luiz Gonzaga
"O Andarilho", de Luiz Gonzaga, desafia a ideia de que a cidade representa progresso e acolhimento. Na canção, a experiência do personagem mostra que a vida urbana pode ser ainda mais hostil e desumana do que o sertão ou o cangaço. O verso “Melhor viver no cangaço / Que a tal civilização” deixa clara essa decepção, mostrando que, apesar das dificuldades do sertão, a cidade não oferece o pertencimento ou a dignidade esperados. Lançada em 1968, a música reflete o contexto histórico de migração nordestina e o sentimento de deslocamento vivido por muitos, tema recorrente na obra de Luiz Gonzaga e fundamental para a identidade cultural do Nordeste.
A letra traz imagens diretas para retratar a resistência e a solidão do personagem. O trecho “Caí do céu por descuido / Se tenho pai, num sei não” sugere abandono e origem incerta, enquanto “zombei da sede, zombei / Cortei com minha peixeira / Todo mal que encontrei” revela coragem diante das adversidades do sertão. No entanto, ao chegar à cidade, o personagem se depara com uma realidade ainda mais dura, expressa em “Eu vím pra ser melhor / Cheguei aqui, chorei”. Esse verso resume a frustração de quem buscava uma vida melhor, mas encontrou apenas desilusão. A sinceridade e o tom melancólico da música reforçam a crítica social e valorizam as raízes sertanejas, mesmo diante das dificuldades.
O significado desta letra foi gerado automaticamente.



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