Festival das Feridas Abertas

Magorinai

Senhoras e senhores, cheguem perto
Trago segredos em lanternas gastas
Aqui se mostra o defeito guardado
E cada cicatriz se transforma em graça

O homem sério largou sua conta
A dama ri do silêncio que assombra
O menino aprende a brincar com o medo
E a multidão se prende ao que mais incomoda

E as luzes cegam, mas ninguém reclama
Pois cada um ama o que mais condena
E as palmas soam como gargalhadas
No festival de feridas abertas

A moça triste se veste de raiva
O velho esquece o orgulho na lama
O jovem dança com medo nos braços
E o mundo inteiro se assusta e se encanta

A donzela canta fora de tom
E o povo inteiro acompanha o som
O soldado chora lembrando da infância
E a plateia brinda à sua fragilidade

E as luzes cegam, mas ninguém reclama
Pois cada um ama o que mais condena
E as palmas soam como gargalhadas
No festival de feridas abertas

Não há truque, não há véu
Cada um mostra o seu tropeço
E quem sorri diante do palco
Já sabe bem do próprio preço

O pregador tropeça na fé que carrega
A mãe abraça o filho que nega
E o narrador, cansado da cena
Aponta a saída que nunca liberta

E as luzes cegam, mas ninguém reclama
Pois cada um ama o que mais condena
E as palmas soam como gargalhadas
No festival de feridas abertas


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