Exibições da letra 8

A Balada do Mexicano, Pt. 1 (A Saga de El Matador)

Maioral Pensante

Letra

    Vou contar para vocês a história de um cara
    Que era temido por onde passava
    Usava um chapéu preto com grande aba
    Montava um cavalo raça manga-larga

    À sua cintura sempre duas armas
    Canos muito longos, longe se avistava
    Sujeito cruel e de poucas palavras
    Que só resolvia os problemas na bala

    Bebia de manhã tequila de graça
    Era o que o fazia empunhar suas armas
    Usando essa tática ele deu cabo
    De mais de 200, todos bons muchachos

    Não havia por lá alguém que o encarasse
    É duelar com a morte, dizia um padre
    Suas mãos eram rápidas como as de um mágico
    E a mira perfeita dava o resultado

    Embora tentassem ninguém conseguia
    Explicar o porquê daquela tirania
    Vindo de família de gente honesta
    Optou pelo oposto, uma vida incerta

    Maltratava a todos, mulheres e velhos
    Ofendia até quem o achava certo
    Extrema ignorância e sem senso de humor
    Uma simples brincadeira, era mais um morto

    A cidade então um dia se rebelou
    Puseram em sua bebida veneno de rato
    Ao tomar a bebida começou infartar
    Olhou para os lados, tavam todos lá

    Sabia que tinha sido planejado
    Que era um complô que haviam armado
    Tentou se erguer, estava muito fraco
    Veneno danado e como age rápido

    Mas disse bem alto para que ouvissem
    “No voy morir sin me divertir”
    Que não morreria sem se divertir
    Foi quando então levantou-se depressa
    Todos se assustaram, saíram às pressas

    E como dito, pegou suas armas
    Pôs-se a disparar suas balas de prata
    Tinha gente gritando, pulando janela
    Tinha gente pedido, vê se me erra

    Poupando a vida de um mariachi
    Ordenou que o nobre ali mesmo ficasse
    Que fosse sinistro o seu solo a tocar
    Pra que mesmo a Morte prostrasse a chorar

    Tão fúnebre fora a canção prometida
    Que El Matador viu passar sua vida
    Gargalhava tanto por todos seus feitos
    Que de tanto orgulho esmurrava os peitos

    Se entregou enfim aquela situação
    Viu que resistir não era solução
    Com um leve sorriso e sangue no olhar
    Fez um último gesto pra desencarnar

    Sua última bala não foi projetada
    A vida do carrasco estava findada
    Morreu feliz, pois matou mais uns seis
    Teve sua vingança antes de falecer

    O povo agora então vive tranquilo
    Não se ouviu por lá nunca mais um só tiro
    Seu corpo enterrado a 100 palmos está
    Num caixão bem lacrado pro mal não voltar

    Ainda há quem diga que a alma do tal
    Anda a rondar a noite a cidade Natal
    Porém o importante é que agora estão livres
    Daquele que um dia, quis impor sua justiça


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