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Chamo-me Menino

Manecas Costa

Infância e resistência em "Chamo-me Menino" de Manecas Costa

A música "Chamo-me Menino", de Manecas Costa, retrata de forma direta e sensível a dura realidade da infância marcada pela pobreza e exclusão social na Guiné-Bissau. O verso “Sou filho da miséria escancarada, enteado da vida entreaberta” expressa o sentimento de abandono e a sensação de não pertencer plenamente à sociedade, apenas sobrevivendo à margem dela. Imagens como “gargantas fatalmente magras, carente de pão” e “covas fundas” reforçam o cenário de desnutrição e extrema pobreza, refletindo uma situação comum no país de origem do artista.

O refrão “Chamo-me Menino” se repete como uma afirmação de identidade e resistência, mesmo diante da perda precoce da infância. Trechos como “dou passes desde os cinco, tenho doze chuvas, uma cara operária sobre um corpo fininho de cinco anos” evidenciam o trabalho infantil e a contagem da idade pelas “chuvas” (anos), mostrando a dureza da vida e a falta de perspectivas. A frase “sofro de raquitismo por comer com os olhos” deixa clara a fome constante, enquanto “meu peito nicotizado é mortalha e tantã” sugere tanto o contato precoce com vícios quanto a tentativa de manter a alegria através da música. Utilizando o estilo gumbe e sua experiência como embaixador da UNICEF, Manecas Costa transforma a canção em um retrato social e um apelo por dignidade para as crianças guineenses.


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