
Livre (não há machado que corte)
Manuel Freire
Resistência e memória em “Livre (não há machado que corte)”
A ideia central de “Livre (não há machado que corte)” é que pensamento e afeto têm uma vitalidade que resiste à repressão e à finitude. Lançada por Manuel Freire em 1968 como canção de intervenção, a letra vem de um poema de 1950 de Carlos de Oliveira. Esse deslocamento temporal mostra que as imagens já traziam a semente da resistência ao salazarismo; tanto que o verso “Não há machado que corte a raiz ao pensamento” virou um lema público de liberdade durante a ditadura.
A canção constrói esse sentido pela negativa, repetindo “não há” para transformar recusa em certeza. O “machado” encarna a censura e a violência de Estado; a “raiz” é a origem do pensar e da cultura, algo que não se arranca. Em “não há morte para o vento”, o vento simboliza a circulação livre das ideias, que escapa a fronteiras e mordaças. Ao afirmar “Se ao morrer o coração / morresse a luz que lhe é querida, / sem razão seria a vida”, a letra sustenta que a esperança e a memória coletiva sobrevivem às perdas. O fecho — “Nada apaga a luz que vive / num amor num pensamento / porque é livre como o vento” — une o íntimo e o coletivo: pode ser lido como amor pessoal e como amor à liberdade, ambos irredutíveis. A interpretação de Manuel Freire, num EP intitulado “Livre” e no contexto da música de intervenção que ele consolidaria com “Pedra Filosofal”, deu a essas imagens força de hino, catalisando a certeza de que a liberdade de pensar não se cala nem se corta.
O significado desta letra foi gerado automaticamente.



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