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Letra

    A vida vem como enganos
    E eu faço versos incertos
    Mesmo que mudem os afetos
    Mesmo que rasguem meus panos
    Eu teço em versos concretos
    Meus folhetins suburbanos

    Poetas cantam delírios
    E eu faço versos de anseios
    Mesmo que brotem receios
    Mesmo que sequem meus rios
    Eu faço os versos mais feios
    Pra tapear meu martírio

    A vida vem como enchentes
    E eu faço versos vazios
    Mesmo nos cantos sombrios
    Mesmo nas horas doentes
    Meus versos tontos, vadios
    Me escorrem por entre os dentes

    Ainda que anulem os anos
    Ou que se percam meus filhos
    Meus versos vão como trilhos
    Que não têm rota nem planos

    Composição: Marcelo Sirotheau / Zémaria Siqueira. Essa informação está errada? Nos avise.

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