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Da Meia Noite Às Seis

Marcio Nunes Corrêa

LetraSignificado

    Lua cheia é quase um dia, entre as sombras do terreiro
    O céu num poncho estreleiro num lume que nunca falha
    Clareia a crista do oitão onde um morcego se apruma
    Da meia-noite pra uma só uma coruja trabalha

    O vento embala a copa dos timbós e guamirins
    É o fim do sono do taura que sonhava estar domando
    E aviva o fogo dormido um pouco antes das duas
    Já quando a cuia flutua junto as mãos se aquerenciando

    Ecoa um tropel de cascos bem na frente da estância
    É um quero-quero que espanta, num vôo sobre os potrancos
    Ondas calmas no açude, já quase virando as três
    Quando uma rês mata a sede, depois se volta no tranco

    Quatro e pouco, inda escuro, e um galito calça a espora
    Talvez chamando a aurora que não tarda tinge o pago
    Os ovelheiros descansam de uma investida num touro
    E um galgo aquenta o couro nos bretes rondando vago

    Saltam do catre, os demais, no movimento de bamo!
    Quando um caldo de tutano aferventa desde as cinco
    Da cozinha, a fragrância faz com que a indiada se apure
    Pedindo que o tempo dure, num pão ou queijo de cincho

    Amanhã outro relato na insônia de outro sujeito
    Por agora, cincha ao peito, dos mansos mais uma vez
    É hora do pé no estribo, destino que é meu ofício
    Que o campo é sempre municio antes ou depois das seis!


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