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Fazenda São Francisco

Marco Brasil

Letra

    Eu fiz a maior proeza, pras bandas do rio da morte
    Com outro caminhoneiro, traquejado no transporte
    Fui buscar uma vacada, para um criador do norte
    Na chegada eu pressenti, que era um dia de sorte
    Depois do embarque feito só ficou um boi de corte

    O mestiço era bravo, que até na sombra investia
    A filha do fazendeiro, molhando os lábios dizia
    "Eu nunca beijei ninguém, juro pela luz do dia
    Mas quem montar nesse boi, e tirar a valentia
    Ganha meu primeiro beijo que darei com alegria"

    Vendo a beleza da moça, meu sangue ferveu na veia
    Eu calcei um par de esporas, e passei a Mão na peia
    Peguei o mestiço a unha, rolei com ele na areia
    Enquanto ele esperneava, fui apertando a correia
    Mas quando eu sentei no lombo foi que eu vi a coisa feia

    O boi saltou a porteira, no primeiro corcoveado
    Numa ladeira de pedras, desceu pulando furtado
    Saia língua de fogo, cheirava chifre queimado
    Quando os cascos do mestiço batiam no lajeado
    Parou berrando na espora ajoelhando derrotado

    Pra cumprir sua promessa, a moça veio ligeiro
    E disse "você provou ser peão de boiadeiro
    Dos prêmios que vou lhe dar o beijo é o primeiro"
    Sua boca foi abrindo, seu olhar ficou morteiro
    Nessa hora eu acordei abraçando o travesseiro


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