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Letra

    Passei a velha porteira
    Na curva da encruzilhada
    Andei pisando nos restos
    Da tapera derrubada
    Voltei pra matar saudade
    Da minha vida passada
    Quando aquela paragem
    Foi um pouso de boiada

    Lembrei da lida estradeira
    Junto com a companheirada
    Tocando bois pantaneiros
    Na marcha empoeirada
    O toque do berranteiro
    Anunciando a alvorada
    E os boiadeiros gritando
    E a boiada levantando
    No romper da madrugada

    Ainda existe o fogão
    Da cozinha improvisada
    O pé do velho angiqueiro
    Uma trempa enferrujada
    Até parece que eu via
    A fumaça esbranquiçada
    Serpenteando no espaço
    Da noite enluarada

    Notei que tudo mudou
    Ao entrar pela invernada
    A pastagem do piquete
    Nunca mais foi reformada
    Do casarão do retiro
    Quase não resta mais nada
    Esquecida no relento
    Onde o cipó cinzento
    Fizeram sua laçada

    A estrada de chão batido
    Também foi abandonada
    Fizeram uma rodovia
    Com pista toda asfaltada
    Os caminhos boiadeiros
    Não precisam de peonada
    E o posto de combustível
    Hoje é o local da pousada

    Depois de tantos janeiros
    Viajando de sul a norte
    Foi vencido pela idade
    Quem era valente e forte
    Mas chegou o fim da jornada
    Sou igual um boi de corte
    Esperando a despedida
    Arrasto a canga da vida
    Pelo corredor da morte

    Composição: Batista Dos Santos / Valdemar Reis. Essa informação está errada? Nos avise.

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