
Vinho
Maria Bethânia
Da idealização ao corpo em “Vinho”, de Maria Bethânia
Em “Vinho”, Maria Bethânia organiza o desejo como uma degustação em etapas, em que a dose conduz do autocontrole à vertigem. A narrativa parte do reencontro — “Ah, quanto tempo eu não vejo você” — e avança por imagens táteis e marítimas. “Seu corpo é um labirinto / que me deixa zonza” sugere exploração e desorientação; “Você é que me sobe à cabeça / como um vinho” explicita a embriaguez afetiva; “Te amar é como mergulhar num mar divino” traduz a entrega total, com o corpo imerso. A gradação do “beber” encadeia estados — “Se bebo pouco, me acalmo / um pouco mais, me excito / e se abusar, levito” — até o ápice em que a idealização desce ao corpo: “transformo o mito / em finito... prazer”. O clímax concretiza o desejo e encerra a espera.
Lançada no álbum Ciclo (1983), a canção se destaca pela sensualidade ao usar o vinho como metáfora do desejo — algo reafirmado pela própria letra (“sobe à cabeça / como um vinho”). Na trilha de Partido Alto (1984), como tema de Irene (Norma Bengell), essa leitura se intensifica: emerge uma presença feminina magnética, que conduz o ritmo do encontro e sustenta o “quero mais” do beijo. As repetições de estrofes e imagens mantêm o impulso sempre renovado, enquanto o contraste “mito x finito” amarra o sentido: do amor idealizado ao prazer vivido, camada por camada, até a vertigem doce de quem “levito” depois de beber demais — do vinho e do outro.
O significado desta letra foi gerado automaticamente.



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