
Taturano
Maria Bethânia
Violência e ironia no sertão em “Taturano” de Maria Bethânia
Em “Taturano”, Maria Bethânia transforma a figura da lagarta em um símbolo de ameaça e desumanidade, especialmente ao se autodenominar “um cabra desumano que chama-se Cem Matou”. Esse nome fictício, carregado de violência, faz referência direta ao universo do cangaço, onde apelidos e lendas reforçavam a fama de crueldade dos cangaceiros. O uso de expressões regionais como “oxente” e “fuinha” reforça a ambientação nordestina e traz um tom direto e irônico à narrativa, aproximando o ouvinte do cotidiano duro e, ao mesmo tempo, marcado por um humor ácido típico do sertão.
A repetição dos versos “nessa cara de fuinha eu só vejo muita fome / muita sede / solidão” evidencia a carência e o isolamento dos personagens, sugerindo que, por trás da aparência frágil, existe uma realidade de luta pela sobrevivência. A menção à “praça da desgraça” e ao ato de “pegar um homem, matar e comer” pode ser entendida como uma hipérbole do desespero ou uma crítica social à brutalidade causada pela miséria. O convite final para “andar no sertão” reforça que essas experiências fazem parte do cotidiano local, misturando dureza, ironia e cumplicidade entre narrador e ouvinte. Assim, “Taturano” utiliza o folclore do cangaço e a linguagem popular para abordar temas de violência, privação e resistência, mantendo sempre um tom sarcástico e direto.
O significado desta letra foi gerado automaticamente.



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