
Francisco, Francisco
Maria Bethânia
“Francisco, Francisco”: rio, fé e saudade ribeirinha
O título em duplicidade indica o duplo sentido central: “Francisco” é o rio São Francisco e também o santo, costurando devoção e geografia. A imagem “Gaiolas são pássaros” remete aos barcos-gaiola do Velho Chico, convertendo travessia em voo. Composta por Roberto Mendes e Capinam e eternizada por Maria Bethânia, a canção homenageia o rio com imagens concretas — “barrancos, carrancas, paisagens”, “a velha canoa”, “o vento e a vela”. As carrancas, talhadas na proa para espantar maus espíritos, e as viagens que organizam a vida ribeirinha ganham destaque. A presença do folclore religioso, em sintonia com rezas como “Meu Divino São José” difundidas por Gilberto Gil em “Procissão”, ecoa na invocação “Francisco meu santo”, reafirmando a fé popular que se mistura ao nome do rio.
Tempo, despedida e saudade atravessam a letra ao ligar água e afeto: “Tantas águas corridas / Lágrimas escorridas, despedidas / saudades”. O fluxo do rio espelha o da memória; “Mergulham em meus olhos” sugere lembranças que afloram como correnteza. A narrativa expõe partidas inevitáveis — “O vento e a vela / Me levam distante” — e o adeus coletivo de quem vive à margem: “Adeus velho Chico / Diz o povo nas margens”. Destacada na trilha da novela Velho Chico, “Francisco, Francisco” funciona como retrato cultural do rio e de quem dele depende, unindo paisagem, viagem e devoção em um canto sereno de pertença e saudade.
O significado desta letra foi gerado automaticamente.



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