Fado Menor
Maria Emília Reis
Dor e destino em “Fado Menor”, de Maria Emília Reis
O título “Fado Menor” já aponta o tom sombrio e contido do repertório tradicional que Maria Emília Reis abraça desde cedo e consolida em “Casa de Fado”, em diálogo com a linhagem de Amália e Beatriz da Conceição. A letra constrói uma autobiografia emocional ancorada na mãe: o chamamento “Minha mãe” dá origem à dor e se liga ao nascimento “em dor”, tornando a conversa íntima com a mãe a chave da sua sina. A progressão verbal “canto”, “grito”, “choro” intensifica a entrega, sempre à noite, porque “o dia me castiga”. No “silêncio das coisas”, ela encontra “voz amiga”, sinal de que a noite funciona como refúgio e espelho, em sintonia com o universo do fado.
O mar organiza a imagem da perda: “Como um barco se afasta / E naufraga no mar alto / Ao pé da onda mais gasta”. O afastamento sugere abandono; o naufrágio, destino traçado pela exaustão que impede retorno. “Neste amor em que me afundo” transforma o amor em abismo, e “as palavras da vida / Já não têm outro mundo” marca o esgotamento do sentido. Ao interpelar a mãe — “O que fizeste… em que me pariste em dor” — a narradora busca nome para esse fardo. “Visto a noite em meu corpo” faz da noite um manto de sobrevivência e prepara o fecho ambivalente: “Sem destino mas com fado”. A frase une fatalismo e arte, ecoando o que a própria Maria Emília afirma sobre o fado como “um namorado, um companheiro para a vida toda”: quando falta rumo, é a canção que oferece companhia, destino e voz.
O significado desta letra foi gerado automaticamente.



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