Exibições da letra 39

Canto À Despedida de Um Ginete

Mário Barbará

Letra

    Entre súbitas manobras
    Sobem patas repentinas
    Dançam no ar e no solo
    Quatro leves bailarinas

    Vai o ginete a seu posto
    No lugar de transição
    Onde o lombo é passaporte
    Para o céu, ou para o chão

    Galopes lentos e aflitos
    Somam ágeis movimentos
    Um voo cego se ensaia
    A cada novo momento

    Há tremores caminhantes
    Na vibração que se escuta
    São os tambores da terra
    Dando compasso à luta

    Entee nuvens de poeira
    Quem vê o salto pressente
    Lanceios de homem-pássaro
    Mas com asas sempre ausentes

    Todas as dores da queda
    Num instante vão embora
    Se as mãos graves da morte
    O atravessam nessa hora

    Chegam rosários e lenços
    E um silêncio se concede
    Sobre o corpo do ginete
    Que horizontal se despede


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