O Fadário (Medrosa)

Mário Pinheiro

Nasci para te amar
Sorte ferina
Foi meu fado te adorar
Foi minha sina!
Como eu sofro e quanta dor
Atroz, sentida
Na ferida
Dolorida
Deste amor!

Sorte ferina!
Foi meu fado te adorar
Foi minha sina!
Como eu sofro e quanta dor
Atroz, sentida
Na ferida
Dolorida
Deste amor!

Na lira adorentada
Um ai lateja
À flor dos lábios meus
Teu nome adeja!
O pranto tem dulçor
É doce, ameno!
Desliza mais sereno
Porque vem do amor!

No colo da saudade
A mente voa!
As chagas de minh'alma
A dor magoa!
O pranto aos olhos vem
Em gotas frias!
A dor tem harmonias
Que o prazer não tem!

É doloroso
Prantear, carpir, gemer
Não ser ditoso!
É penosa esta paixão!
Ai, que a desgraça
Te espedaça
Coração!

Eu vou fugir de ti!
Sou desgraçado!
Eu não sei para que nasci
Desventurado!
Quanta dor! Não posso mais
Ai! Que saudade!
Que crueldade
Tem piedade
De meu ais!

Não'um sonoro adejo
Eu me irei aos céus alando!
Na ambrosia de um teu beijo
Morrerei por ti, sonhando!

Composição: Anacleto de Medeiros, Catulo Cearense. Essa informação está errada? Nos avise.

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