exibições de letras 4.428
Letra

    Rapadura, dj caíque, oxente!
    Coligações volume dois.
    Toma, toma!
    Segura essa cabra!
    Artivistas!
    Um quarto de engenho produções!

    Acabo, acabo, acabo com a repetição, com a reprodução, dessa ficção
    Verbos em flexão, convicção, boa dicção
    Boa repercussão, ecoa minha percussão
    Interlocução, poemas que são arte e ressurreição

    Insurreição, ave de outrora, nas chamas do agora
    Rasgando aurora, fazendo a história, com duração
    Sinto a canção, repenso imagens, compenso em mensagens
    Condenso folhagens, as margens, dessa limitação

    Trazida em seres modernos, prazeres externos
    Imortais invernos congelam internos, morrem nos cadernos
    Se afogam a escrita, restrita, a vista, erudita
    O artista, dita, palpita, rima, que a mídia, me imita

    Os astros são momentâneos, os frascos são instantâneos
    Não espontâneos, ganham, rebanhos, pós contemporâneos
    Apanham, não me acompanham, me estranham, e só reclamam
    Textos se derramam, declamam, não os amam, proclamam

    Espanco insetos, incompletos, com versos diretos
    Cuspindo alfabeto, em dialetos, e levo sons pra surdos
    Decreto, aos fetos incertos elevo dons absurdos
    Lanço seus afetos em desertos regresso em protestos

    Nos iguais, comerciais, sentimentais mais
    Artificiais que caem, traem, a própria voz
    Meus recitais que saem, vai, sempre sobre saem
    Fracos demais só instrumentais pro monstro feroz

    Que ataca o que se repete, na net, enquetes, boatos
    Meu rap, é norte nordeste, uma peste, pra esses novatos
    Nomes abstratos, letras sem extratos, cópia sobre status
    Adormecem tatos, nunca alcançarão contatos

    Com esse oxigênio, que dá vida a gênios, empenhos extremos
    Atravessa tempos, os gêmeos, ficam sem sínteses
    Fluídos naturais, fluxos rurais, pragas culturais
    Movimentos orais, que acabam com as mímeses

    Mimeses fragmentos talentos não viverão
    Mímeses movimentos de ventos não aguentarão
    Mimeses sentimentos cinzentos que secarão
    Mímeses mimeses mímeses mimeses
    Mimeses fragmentos talentos não viverão
    Mímeses movimentos de ventos não aguentarão
    Mimeses sentimentos cinzentos que secarão
    Mímeses mimeses mímeses mimeses

    Derrubo mesas, cadeiras, para a brincadeira
    Dou fim em carreiras,acabo com a feira, nesse hip hop
    Só manufatura, escritura, sem estrutura, sem cultura
    Chama o rapadura, pra mostrar o que é um galope

    Um mote, em dez, blogs, spots, sofrem, com réis
    Derrubo fiéis, o norte, cospe, a morte, em cordéis
    Não chegam aos pés, de menestréis, envergonham papéis
    Se vão em decibéis, suas letras são feitas pra bordéis

    Prostitutos, qual o custo? o matuto manda proposta
    Depois da resposta os devolvo com fratura exposta
    Meto o pé na porta, produtoras, condutoras, gravadoras
    Impostoras, são autoras, dessas folhas mortas

    Que se acham fodas demais, moda que faz réplica
    Todos iguais, sem inovação, sem instrução poética
    Só atração sintética idênticos na métrica
    Donos do rap ensino o que é rap em ordem alfabética

    Invado stúdios de mudos a saga dos interlúdios
    A praga entre prelúdios, desaba com conteúdos
    Tomo latifúndios, gravo o cep, meto rec, gravo o rap
    Bato em tracks, moleques, breves, tomam cascudos

    Não esperavam que eu viesse, que eu fizesse, que eu pudesse
    Trazer o que não conhece, mostrar mais que tuas vestes
    Cultura xilogravura postura cabra da peste
    Além do sul e sudeste elevei o norte nordeste

    Compromisso, desde o início não só beats não só raps
    Technics e scratches com o mix back to back
    Performance atuações novas mutações
    Nego imitações esses falsos djs só apertam botões

    To em 45 rotações 360 graus
    Sem limitações em degraus de fotossínteses
    Coligações volume dois, caíque propôs
    Rapadura compôs, se impôs, e expôs, o fim das mímeses

    Mimeses fragmentos talentos não viverão
    Mímeses movimentos de ventos não aguentarão
    Mimeses sentimentos cinzentos que secarão
    Mímeses mimeses mímeses mimeses
    Mimeses fragmentos talentos não viverão
    Mímeses movimentos de ventos não aguentatarão
    Mimeses sentimentos cinzentos que secarão
    Mímeses mimeses mímeses mimeses...

    Toma, toma, toma!
    Ha, isso aqui é rapadura!
    Norte e nordeste me veste
    Ceará lagoa seca
    Artivistas, coligações volume dois
    Tão pensando que o rap é brincadeira cabra? hahaha
    Óia aí caique, haha, vamo arrochar esse frouxos cabra
    Oxente é arrente.


    Comentários

    Envie dúvidas, explicações e curiosidades sobre a letra

    0 / 500

    Faça parte  dessa comunidade 

    Tire dúvidas sobre idiomas, interaja com outros fãs de RAPadura Xique-Chico e vá além da letra da música.

    Conheça o Letras Academy

    Enviar para a central de dúvidas?

    Dúvidas enviadas podem receber respostas de professores e alunos da plataforma.

    Fixe este conteúdo com a aula:

    0 / 500

    Opções de seleção