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Ritual de celebração e memória em “Despedida” de Mestre Damasceno

Em “Despedida”, Mestre Damasceno transforma o momento da partida em uma celebração coletiva, refletindo a visão amazônica de que a morte é uma passagem e não um fim definitivo. Ao pedir “pega o milheiro, arrufa o tambor, traz o violão”, ele convoca a comunidade a manter viva a alegria e as tradições, mesmo diante da despedida. O verso “Eu vou levando esse búfalo Segredo / Que não tem medo de brincar em qualquer lugar” faz referência ao Marajó, onde o búfalo simboliza força e resistência, e também funciona como metáfora para o próprio espírito do artista, que permanece destemido e brincalhão até o fim.

A canção cria uma atmosfera leve e acolhedora, convidando todos a participarem da despedida com animação, como mostra o refrão “Se Deus quiser para o ano eu voltará”, que reforça a ideia de que a separação é apenas temporária. Segundo relatos, Mestre Damasceno compôs “Despedida” para ser cantada após sua morte, expressando o desejo de que seu velório fosse marcado por música e alegria. Assim, a música transforma o luto em festa, reafirmando a importância da cultura, da coletividade e da celebração da vida, tornando-se um verdadeiro testamento de sua trajetória artística.

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