
Olhar
Metrô
“Olhar”: desejo urbano, feitiço e deriva na cidade
Em “Olhar”, composta por Vicente França e Yann Laouenan e lançada pelo Metrô no álbum homônimo de 1985, ver vira impulso: o gesto de olhar acende o desejo e põe o narrador em movimento. O encontro não acontece; ele deriva pela cidade, entre “ruas” e “esquinas”, enquanto noite, chuva e vento moldam uma espera contínua. O clima new wave/synth-pop sustenta essa hipnose, condensada em “O teu olhar me enfeitiçou / E eu continuo a vagar”. A pergunta “Quem vem me buscar?” não pede grandiosidade; expõe uma solidão discreta de quem caminha sem rumo, perseguindo um brilho que nunca chega.
As imagens centrais são simples e precisas. O “voar” de “Eu vivo sempre voando” aponta para um estado entre sonho e errância. “Miragem... imagem...” joga com ilusão e registro, como se o olhar fosse ao mesmo tempo fantasma e fotografia possível. Esse “olhar” — por vezes “estranho” — é feitiço e horizonte: motiva o “vagar”, mas se dissolve quando o tempo escorre, como em “O tempo vai passando / A vida vai passando e eu...”, com a reticência abrindo suspensão e continuidade. A virada do grupo para a estética new wave, após a fase progressiva, combina com essa modernidade de cidade e trânsito afetivo. O fato de o álbum Olhar seguir relevante, relançado em 2016, reforça a força duradoura desse tema de anseio e fascinação que a faixa cristaliza.
O significado desta letra foi gerado automaticamente.



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