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25 de Dezembro

25 De Diciembre

Dezembro de novo com sua mentira disfarçadaDiciembre otra vez con su mentira envuelta
As ruas enfeitadas de amor que ninguém senteLas calles disfrazadas de amor que nadie siente
Observo as vitrines pedindo sacrifíciosObservo las vitrinas pidiendo sacrificios
Enquanto os cartões sangram por tradiçãoMientras las tarjetas sangran por tradición

A lógica é simples, mas ninguém mencionaLa lógica es simple, pero nadie la menciona
Reunir uma vez por ano não apaga onze mesesReunirse una vez al año no borra once meses
Minha família aperfeiçoa suas atuaçõesMi familia perfecciona sus actuaciones
Ensaiando sorrisos que custam mais que o peruEnsayando sonrisas que cuestan más que el pavo

Mesas longas onde cada um calculaMesas largas donde cada quien calcula
Quem herdou mais, quem fracassou melhorQuién heredó más, quién fracasó mejor
Abraços medidos com balança escondidaAbrazos medidos con balanza oculta
Conversas cheias de veneno diluídoConversaciones llenas de veneno diluido

Não sou o vilão por nomear o óbvioNo soy el villano por nombrar lo evidente
Só conto o que todos preferem ignorarSolo cuento lo que todos prefieren ignorar
As luzes pendem tristes de prédios vaziosLas luces cuelgan tristes de edificios vacíos
Como mentiras bonitas que ninguém vai cumprirComo mentiras bonitas que nadie va a cumplir

Dezembro gelado, hipocrisia em coposDiciembre gélido, hipocresía en vasos
Brindes forçados, rancores camufladosBrindis forzados, rencores camuflados
Não finjo emoções que o calendário ditaNo finjo emociones que el calendario dicta
Observo de fora essa farsa coletivaObservo desde afuera esta farsa colectiva

Tios que não se falam fingem tolerânciaTíos que no se hablan fingen tolerancia
Por algumas horas compram a paz com vinho tintoPor unas horas compran la paz con vino tinto
Primos comparando conquistas como gladiadoresPrimos comparando logros como gladiadores
Enquanto a avó sorri sem entender por quêMientras la abuela sonríe sin entender por qué

Presentes embrulhados em culpa disfarçadaRegalos envueltos en culpa disfrazada
Obrigações anuais vestidas de carinhoObligaciones anuales vestidas de cariño
Ninguém pergunta como estive em agostoNadie pregunta cómo estuve en agosto
Mas em dezembro todos agem preocupadosPero en diciembre todos actúan preocupados

A árvore murcha igual às promessasEl árbol se marchita igual que las promesas
Que fazemos bêbados antes do ano novoQue hacemos borrachos antes del año nuevo
Fotografias forçadas para redes sociaisFotografías forzadas para redes sociales
Prova irrefutável de que somos funcionaisPrueba fehaciente de que somos funcionales

Eu só sou honesto no meio do teatroYo solo soy honesto en medio del teatro
Não preciso de neve artificial para existirNo necesito nieve artificial para existir
Prefiro a verdade, mesmo que incomodePrefiero la verdad aunque incomode
Do que o espetáculo morno de afeto temporárioQue el espectáculo tibio de afecto temporal

Dezembro gelado, hipocrisia em coposDiciembre gélido, hipocresía en vasos
Brindes forçados, rancores camufladosBrindis forzados, rencores camuflados
Não finjo emoções que o calendário ditaNo finjo emociones que el calendario dicta
Observo de fora essa farsa coletivaObservo desde afuera esta farsa colectiva

Vinte e cinco de dezembro, mais um diaVeinticinco de diciembre, otro día más
Sem magia, sem milagres, só horas que passamSin magia, sin milagros, solo horas que pasan
Fico com minha lógica fria e meu silêncioMe quedo con mi lógica fría y mi silencio
Enquanto vocês atuam em sua peça anualMientras ustedes actúan en su obra anual


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