Exibições da letra 54

Relicário

Miguel Caninhas

Letra

    Relicário do forcado
    Cinta, jaqueta e barrete
    Casa de toiros e fado
    Barrete Verde de Alcochete

    As paredes carregadas
    De sonhos e tradições
    São tantos os corações
    Tantas as almas lembradas

    Nas pinturas, penduradas
    Na melodia de um fado
    Que foi triste e magoado
    Na voz de quem o cantava

    Catedral da festa brava
    Relicário do forcado
    O herdeiro de tanta glória
    Os forcados do aposento

    Se sai o toiro acontento
    Salta-lhes logo à memória
    As toiradas, que são história
    Do forcado de Alcochete

    Bravo a pegar o galhardete
    De corridas afamadas
    Fardado de flor estampada
    Cinta, jaqueta e barrete

    No canto, logo à entrada
    Na sala do matador
    Uma aguarela, uma cor
    Da mão do mestre pintada

    Pois está para o Tejo virada
    Essa sala do forcado
    Recanto simples, sagrado
    De fadistas pegadores

    É ou não é, meus senhores?
    Casa de toiros e fado

    Uma certeza me veste
    No corpo desta guitarra
    Este fado, a essa amarra
    A quem eu peço que empreste

    A força àquilo que deste
    Quando na praça fui ver-te
    Entraste assim de barrete
    E depois pegaste um toiro

    Escreves sempre em letras de oiro
    Barrete Verde de Alcochete
    Escreves sempre em letras de oiro
    Barrete Verde de Alcochete


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