
Missa dos Quilombos
Milton Nascimento
Racismo estrutural e resistência em “Missa dos Quilombos”
Em “Missa dos Quilombos”, Milton Nascimento utiliza a estrutura da missa católica para denunciar o racismo estrutural e a herança da escravidão no Brasil. A música inverte símbolos religiosos ao repetir “Kyrie eleison” (Senhor, tende piedade), pedindo compaixão pelo sofrimento do povo negro, mas também criticando a hipocrisia de uma sociedade que reza enquanto mantém a exclusão e a violência. Trechos como “Alma não é branca, Luto não é negro, Negro não é folk” questionam estereótipos e a apropriação da cultura negra, reforçando que a identidade afro-brasileira não pode ser reduzida a folclore ou assimilada sem respeito à sua história de dor e resistência.
A letra faz referências diretas à escravidão, citando “terras de luanda, Costa do marfim, Reino de guiné” e denunciando o tráfico de pessoas e o genocídio: “Carne em toneladas, Fardos de porão... 300 Milhões De africanos mortos”. O texto também aborda a marginalização histórica e as formas atuais de opressão, como em “Apartheid em casa, Favela do mundo. Com 'direito a enterro' Sem direito à vida”. A crítica ao “embranquecimento” aparece em “Negro embranquecido Pra sobreviver... Negro embranquecido, Morto mansamente Pela integração”, mostrando a perda de identidade e exclusão social.
No final, a canção convoca à memória, resistência e valorização da cultura negra, pedindo que não se negue “o sangue, O grito dos mortos, O cheiro do negro, O aroma da raça, A força do povo, A voz de aruanda, A volta aos quilombos”. A referência aos quilombos simboliza a luta coletiva por liberdade, enquanto a menção a figuras religiosas aproxima a espiritualidade afro-brasileira da tradição cristã, reforçando que a verdadeira redenção só virá com justiça e reconhecimento histórico. “Missa dos Quilombos” se firma como um manifesto antirracista, transformando a liturgia em instrumento de denúncia e afirmação da identidade negra.
O significado desta letra foi gerado automaticamente.



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