
Beco do Mota
Milton Nascimento
Memória e resistência em "Beco do Mota" de Milton Nascimento
"Beco do Mota", de Milton Nascimento, aborda o impacto da repressão moral e urbana sobre a memória coletiva. O verso “Acabaram com o beco / Mas ninguém lá vai morar” mostra que, mesmo após a tentativa de eliminar o espaço boêmio, o vazio deixado não foi preenchido, apenas substituído por saudade e perda. A música faz referência ao processo de transformação vivido em Diamantina, especialmente após as campanhas moralistas dos anos 1960, que buscaram eliminar locais considerados marginais, como o próprio Beco do Mota, situado próximo à catedral. Esse cenário simboliza o confronto entre o sagrado e o profano na cidade.
A repetição de expressões como “procissão deserta” e “profissão deserta” reforça o sentimento de abandono e silenciamento, remetendo à repressão política e social da ditadura militar, quando manifestações culturais e espaços de liberdade eram sufocados. Ao dizer “Diamantina é o Beco do Mota / Minas é o Beco do Mota / Brasil é o Beco do Mota”, Milton amplia a metáfora, sugerindo que a repressão à identidade cultural é um fenômeno nacional. O tom melancólico da canção, aliado à evocação de lembranças e à crítica à perda de espaços de convivência, transforma o Beco do Mota em símbolo da resistência da memória e da identidade coletiva diante da imposição de valores conservadores.
O significado desta letra foi gerado automaticamente.



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