
Pablo
Milton Nascimento
“Pablo”: resistência latino-americana sob censura e exílio
Em 1973, no auge da ditadura, Milton Nascimento e Ronaldo Bastos, no álbum Milagre dos Peixes, recorrem a imagens codificadas para contornar a censura. Em “Pablo”, o nome funciona como pessoa e emblema. O “trator” vermelho, o “incêndio nos cabelos” e o “pó de nuvem nos sapatos” delineiam um sujeito em marcha, marcado por trabalho coletivo, ardor e fuga. O vermelho remete à esquerda; o trator, à força comum do campo; o incêndio, ao risco da militância; o pó, à estrada do exílio. O título acena para Pablo Neruda, poeta engajado que viveu o exílio, sugerindo solidariedade latino-americana e resistência compartilhada.
A voz se apresenta repetindo “meu nome é pablo/ meu nome é rio/ meu nome é vento/ meu nome é pedra”. Do rio e do vento vêm movimento, circulação da palavra e continuidade — imagem de um poeta cujos versos correm e se espalham. Da pedra, a outra face: solidez e teimosia de quem precisa aguentar. A pequena narrativa nasce “num rio qualquer”, caminha com “pó de nuvem nos sapatos”, arde em “incêndio nos cabelos” e termina mais firme, sem perder o impulso do fluxo. Assim, Pablo é corpo-símbolo de fluxo e luta, retrato codificado de militância e exílio que, ao reaparecer em Journey to Dawn (1979), carrega esse rio e esse vento para além das fronteiras.
O significado desta letra foi gerado automaticamente.



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