
O Carioca
Molejo
“O Carioca”: humor carioca entre afeto e sátira do Rio
Em “O Carioca”, do Molejo, a zoeira funciona como abraço: a música ri dos clichês para reafirmar identidade e afeto pelo Rio. Os estereótipos viram crônica carinhosa em versos como “deita na sombra na hora do almoço” e “com um São Jorge no pescoço”, que mostram devoção popular e o ritmo próprio do dia. A malandragem leve aparece em “paga um mês quando já deve seis”, enquanto “bate uma bola até com um caroço” traduz o improviso e a criatividade de jogar com o que houver. O cotidiano de bar e rua surge em “come na pensão, não carrega marmita” e “adora a cerveja e também a batida”, sem moralismo, numa sátira afetuosa do estilo de vida local.
O futebol é catarse e ritual: “vai para a geral e pula para as cadeiras” remete à antiga divisão do Maracanã e ao jeitinho de driblar barreiras, e “xinga o juiz... mas é brincadeira” marca a irreverência sem rancor. O duelo entre “Vascão” e “Mengo” aponta a paixão clubista que, no fim, vira celebração. No carnaval, “sai na escola de samba” / “na avenida ele é um bamba” reforça a autoimagem de mestre do samba, com Arpoador e Copacabana como cartões-postais afetivos. “Tem sempre uma preta, a sua margarida” revela uma marca de época: no universo do samba, “preta” era gíria afetuosa para parceira, embora hoje soe problemática. “Vive de gozação, mas ama seus companheiros” fecha a ideia: brincar é linguagem de pertencimento e comunidade.
O significado desta letra foi gerado automaticamente.



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