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Canto dos Escravos

Monica Salmaso

Sincretismo e resistência em “Canto dos Escravos” de Monica Salmaso

“Canto dos Escravos”, interpretada por Monica Salmaso, destaca o sincretismo religioso e linguístico como uma das principais formas de resistência cultural dos escravizados no Brasil. A letra mistura português, tupi e termos africanos, refletindo a convivência forçada, mas também a criatividade dos povos escravizados ao unir elementos de diferentes tradições. Esse processo permitiu a criação de um espaço simbólico de proteção e esperança. A presença de expressões como “Padre Nosso com Ave Maria” ao lado de nomes como “Taganãzambe” e “Calunga” evidencia como a fé católica, imposta pelos colonizadores, foi reinterpretada e misturada a crenças africanas e indígenas, tornando-se um refúgio espiritual diante da opressão.

A canção tem origem no vissungo, gênero musical entoado durante o trabalho nas minas, que servia tanto para coordenar o esforço coletivo quanto para expressar dor, saudade e resistência. A repetição de “aiô” e a menção a “Calunga” — termo que pode se referir ao mar, à morte ou ao mundo espiritual nas culturas banto — reforçam o caráter ritualístico e a conexão com os ancestrais. A interpretação de Monica Salmaso, junto à percussão de Naná Vasconcelos, intensifica essa atmosfera de lamento e força, transformando o canto em um testemunho vivo da resiliência e da riqueza cultural afro-brasileira.

Composição: Public Domain. Essa informação está errada? Nos avise.

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