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Dualidade e vulnerabilidade em “Libertine” de Mylène Farmer

Em “Libertine”, Mylène Farmer assume de forma provocativa rótulos marginalizados ao declarar “Je suis libertine, je suis une catin” (“Sou libertina, sou uma prostituta”), mas também revela vulnerabilidade ao pedir “me tienne la main” (“segure minha mão”). Essa combinação de liberdade sexual e fragilidade emocional é o núcleo da música, refletindo tanto a ousadia da artista quanto sua sensibilidade pessoal. O videoclipe reforça essa transgressão ao mostrar Farmer alternando entre roupas masculinas e femininas e cenas de nudez, desafiando normas de gênero e sexualidade e consolidando “Libertine” como um símbolo importante na cultura queer francesa.

A letra traz referências literárias e imagens poéticas, como em “entre mes dunes reposent mes infortunes” (“entre minhas dunas repousam meus infortúnios”), evocando o universo libertino do Marquês de Sade e sugerindo que a liberdade aparente esconde sofrimento e solidão. O verso “La vie est triste comme un verre de grenadine” (“A vida é triste como um copo de grenadine”) expressa uma melancolia discreta, enquanto “Papa, ils ont violé mon coeur” (“Papai, eles violaram meu coração”) revela uma dor profunda e quase infantil, em contraste com o tom desafiador do refrão. Assim, “Libertine” vai além da celebração da liberdade sexual, mostrando também a busca por afeto e aceitação diante do julgamento social.

Composição: Jean-Claude Dequeant / Laurent Boutonnat. Essa informação está errada? Nos avise.

O significado desta letra foi gerado automaticamente.


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