
Como Dois E Dois São Quatro
Nara Leão
Verdade como resistência em “Como Dois E Dois São Quatro”
A canção transforma a certeza aritmética do título em gesto político: num país censurado, afirmar o óbvio vira coragem. Em 1966, Nara Leão canta “a vida vale a pena” apesar de “pão caro” e “liberdade pequena”, convertendo uma constatação simples em resistência na ditadura. Escrita por Ferreira Gullar, com música de Denoy de Oliveira, e lançada no álbum Manhã de Liberdade, ela contrapõe verdades elementares — “como dois e dois são quatro” — à precariedade material e à restrição civil, oferecendo um eixo de estabilidade. A interpretação íntima enumera evidências sensoriais — “olhos claros”, “pele morena”, “oceano azul”, “lagoa serena” — ancorando a esperança no que é palpável, em sintonia com o engajamento de Nara após o espetáculo Opinião.
O núcleo poético está no choque entre beleza e ameaça. Quando a letra diz “um tempo de alegria/ por trás o terror acena”, nomeia o medo da época; já “a noite carrega o dia/ no seu colo de açucena” admite leitura dupla: a noite tutela e retém o dia (opressão), mas também embala uma semente de luz (esperança). O refrão que retorna — “sei que dois e dois são quatro/ sei que a vida vale a pena” — reforça uma ética do óbvio diante da distorção: a alegria existe, ainda que frágil; a liberdade é pequena, mas real. Nomeá-las, em voz calma, é um ato de lucidez que o álbum e a trajetória de Nara ajudaram a tornar público.
O significado desta letra foi gerado automaticamente.



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