Errando a Volta Pra Estância

Nelson Cardoso

Se apeie passe adelante
Grita o portero cansado
E o rancho todo estremece
Noite de baile encorpado

Largo meu pingo com a eguada
Empenho as garras na copa
Que nada mais me provoca
Que cheiro de China alçada

Pra o santo um trago lá fora
Derramo por devoção
Depois a luz de lampeão
Me arrasto e danço de espora

Que importa cair no laço
Com a segunda na mangueira
Debaixo de Sol e poeira
Com no ouvido algum muchacho
Gritando acordou borracho
Na indagação mais arcaica
A alma tonta de gaita
Eu firme estendendo o braço

Pra vida sustento o gosto
Que nem o sal pra o rodeio
E piso ao tranco e floreio
Qual touro brabo em retoço

Há dias de folga e farra
Só Lidando com alegria
Da mais xucra fidalguia
De quem muito se regala

Mas cá no chão da campanha
Pra um tipo sem importância
Errar a volta pra estância
Sempre é motivo de canha

Que importa cair no laço
Com a segunda na mangueira
Debaixo de Sol e poeira
Com no ouvido algum muchacho
Gritando acordou borracho
Na indagação mais arcaica
A alma tonta de gaita
E eu firme estendendo o braço


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