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Na Velha Estação

Nenito Sarturi

Letra

    Mateando quieto no oitão do rancho
    De tardezita, quando o sol se vai,
    Relembro coisas do sistema antigo
    Que hoje em dia não existem mais.

    Até parece que escuto o apito
    Do trem magiar lá na ribanceira:
    Rasgava o pampa a “maria fumaça”,
    Mais conhecida por “trem da fronteira”.

    Nas noites calmas matava o silêncio
    Pelas canhadas da terra “paisana”:
    Era o progresso montado nos trilhos
    De porto alegre até uruguaiana.

    Hoje a tristeza, que a lembrança turva,
    Arrinconou-se na velha estação
    Junto à saudade, que apitou na curva,
    Anunciando o último vagão.

    Recitado:
    Junto aos dormentes, a engolir distância,
    Os trilhos rompem a imensidão...
    E nós quedamos, sufocando a ânsia,
    Sem compreender e sem achar razão
    Pra os que embarcaram, no trem da ganância,
    Um patrimônio de toda a nação.

    Partindo cedo de santa maria,
    Em dilermando - primeira parada,
    No cacequi, passo novo e alegrete,
    No plano alto, depois na charqueada.

    Quantos recuerdos das composições
    Que serpenteavam pela geografia,
    Do trem pampeiro que acordou fundões
    Destas paragens para um novo dia.


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