Entre o Céu e a Terra

Newton Jayme

No risco azul da madrugada
Um galo desperta o silêncio
E a luz vem devagar
Como quem pede
Licença pro mundo

O chão ainda guarda o frio da noite
E meus pés sabem o caminho
Antes mesmo de eu lembrar meu nome
Tem café no fogo e tempo na mesa
A vida não corre, ela reza
Feito prosa mansa na cerca de arame

Eu planto mais do que semente
Planto espera, planto ausência
E colho o que o céu decide me contar

Amar você é terra depois da chuva
Cheiro doce que o vento traz
É o Sol nascendo no meio da calma
Iluminando o que a gente é capaz

Amar você é caminho sem pressa
É ter abrigo no seu olhar
Se o mundo inteiro virar silêncio
É no seu coração que eu vou morar

O vento conversa com as folhas
Num idioma que não se escreve
Mas meu peito entende por completo

Às vezes, a saudade vem sem aviso
Igual chuva em terra quente
Faz barulho, levanta cheiro
E depois vira lembrança no horizonte

E, se a noite chega comprida
Traz estrelas como conselho
Cada uma dizendo baixinho
Tudo tem seu tempo de nascer

Sou feito de estrada sem pressa
De Sol que racha e também acolhe
De mãos marcadas, mas abertas
Entre o céu e a terra eu fico
Não sou grande, nem sou pequeno
Sou só inteiro, só inteiro

Amar você é terra depois da chuva
Cheiro doce que o vento traz
É o Sol nascendo no meio da calma
Iluminando o que a gente é capaz

Amar você é caminho sem pressa
É ter abrigo no seu olhar
Se o mundo inteiro virar silêncio
É no seu peito que eu vou morar


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