
Monstros Entre Nós
Oneance
Os seus olhos fáceis jamais verão
A dor profunda a qual fui submetido
Já não procuro por absolvição
Das cicatrizes em meu livre-arbítrio
O seu julgamento oportuno vinga
Descarto a serenidade de espírito
Não anseio por consciência limpa
Ou perdão pelos erros cometidos
A violência muda, que abusa e que cala
A ambivalência que murmura aflição
Assim como folhas no topo da árvore
Nasci para cair ao fim da estação
Nós reconstruímos catedrais alvas
Rompendo céus e devassando sóis
Descerro a ferida ao rasgar a casca
Em meio à renúncia, não há heróis
No desespero da sombra despida
Pelos palmos violadores do algoz
Entenda que o silêncio fala em línguas
Lembre-se de que há monstros entre nós



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