Ninguém É de Ninguém
Os Maragatos
A gaita ronca numa vaneira chorona
Se entropilha as querendona e o machariu atropelo
Se vão as cata da mimosa mais faceira
E no lombo de uma vaneira pros demais fazem sinuelo
A sala enche logo na primeira marca
Lá quem não dança se encharca oitavado no balcão
Pois na desculpa de poupar o bolicheiro
A indiada puxa o dinheiro e manda vim de garrafão
Um trago, outro, prosa vai e prosa vem
Tem china que se encostela querendo beber também
A noite inteira chacoalhando o recavem
Vira num esfrega, esfrega se dança até nas macegas
Pois ninguém é de ninguém
Pois ninguém é de ninguém
E madrugada já quase clareando o dia
É lindo ver as gurias de gargalhedo e cuxixo
Só cobiçando os borracho de campanha
Que se enterteram na canha e não arrumaram cambicho
Arma o arremate da noite por despedida
Uma marca bem comprida avisa que tá na hora
Calou-se a gaita, moçada aproveita e vaza
Pegando o rumo das casa assoviando estrada fora
Um trago, outro, prosa vai e prosa vem
Tem china que se encostela querendo beber também
A noite inteira chacoalhando o recavem
Vira num esfrega, esfrega se dança até nas macegas
Pois ninguém é de ninguém
Pois ninguém é de ninguém



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