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Alto Cutelo

Os Tubarões

Emigração e resistência em “Alto Cutelo” de Os Tubarões

Em “Alto Cutelo”, Os Tubarões utilizam a imagem do cutelo — uma lâmina afiada — para simbolizar a ameaça constante e a luta diária do povo cabo-verdiano diante da seca e das dificuldades sociais e econômicas. Logo no início, o verso “Raís stikadu djobe agu k'atxa (dja seka)” destaca a terra exaurida, onde até as raízes procuram água em vão, ilustrando a devastação causada pela seca e a desesperança que leva muitos a buscar alternativas fora do país.

A música aprofunda o drama da emigração forçada, mostrando o marido que parte para Lisboa “kontratadu”, vendendo sua terra por metade do valor e enfrentando condições degradantes em fábricas como CUF, Lisnave e J. Pimenta. Composta durante a transição para a independência de Cabo Verde, a canção critica a exploração da mão de obra barata e o racismo estrutural, como em “Inda más nganadu ku si irmon branku (esploradu)”. A repetição de “mon d'óbra baratu” denuncia a desvalorização do trabalhador emigrante, que vive em condições precárias, “baraka sen lus (kumida a présa)”.

No final, a letra expressa o desejo de retorno e justiça: “É mi ki trabadja, térra y puder é pa mi”, reivindicando o direito à terra e ao poder para quem realmente trabalha e sofre. A menção a lugares como Monti Gordu e Malagéta reforça o vínculo com a terra natal e a luta coletiva por dignidade. Assim, “Alto Cutelo” retrata de forma direta as dores da emigração, a exploração e a esperança de transformação social em Cabo Verde.


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