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Tiro Cruzado

Oswaldo Montenegro

Letra

    Eu tava andando numa estrada vermelha
    Era no meio do mundo, interior de Goiás
    Pedi pra dormir num celeiro vazio
    E aí me disseram: "Cuidado, rapaz
    Aí mora o louco fantasma de Antônio
    Era líder do povo e brigou com o patrão
    Na hora do pau, deixaram sozinho"
    Perdeu o emprego e ainda foi pra prisão
    Depois ficou doido e gritava: "Covarde!
    Não teve só um pra vir me acudir
    Mas quando eu morrer eu volto da morte
    Atazano vocês e ainda morro de rir"

    Na hora do aperto me deixa de lado
    É tiro cruzado (olha eu na fogueira!)
    Fala besteira (é o teu medo empenhado)
    E o teu pesadelo é que eu não dou bandeira
    E passa rasteira, eu que tome cuidado
    Senão caio morto no meio da rua
    Não vai haver quem pare pra acudir
    Sai do meu lado (olha essa confiança!)
    Quem entra na dança não pode sair
    O olho no olho reflete sem erro
    Quem acusa os "outro" e não sabe de si
    E passa rasteira, eu que tome cuidado
    Senão caio morto no meio da rua
    Não vai haver quem pare pra acudir
    Caso eu morresse voltava de novo
    Te atazanava e morria de rir


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