Taxidermia

Papangu

Cabecas fitando o céu, prostradas em surto fiel
Perigam partir-se em vão por letras em velho
Pape

Prosperam caciques do cão, consomem a inanição
Promessa vendida a granel, cobaias da flagelação

Couro velho, juta, cobre

Verniz e formol com tinta e pincel
Recheio sumiu, bicho em carrosse
Corpo fechado? Oco cerrado
Plantem-nos longe das sepulturas

Silêncio sepulcral, sem nem pestanejar
Pagou pra ver e esquecer
Retrato todo igual firmado em cabeda
Separa o homem do viver


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