
Caboclo Roceiro
Patativa do Assaré
Crítica social e empatia em "Caboclo Roceiro" de Patativa
Em "Caboclo Roceiro", Patativa do Assaré faz uma crítica direta à ideia de que o sofrimento do trabalhador rural nordestino é resultado de uma punição divina. O poeta afirma claramente: “a tua sentença não parte do céu” e “as tuas desgraças... não nascem das ordens do eterno juiz”, rejeitando a explicação religiosa para a miséria e apontando para causas humanas e sociais. Patativa responsabiliza as estruturas de poder e a exploração dos mais pobres, mostrando que a opressão vivida pelo caboclo é fruto de injustiças históricas e não de vontade divina. Essa postura crítica incomodou o regime militar, levando à censura do poema, já que ele expunha a exploração e a falta de liberdade do povo do campo, temas delicados no contexto político da época.
A letra utiliza uma linguagem simples e acessível, aproximando o autor do trabalhador rural ao dizer: “Tu és meu amigo, tu és meu irmão”. Patativa descreve a rotina exaustiva do caboclo, que “de noite tu vives na tua palhoça / de dia na roça de enxada na mão”, e destaca como a alienação religiosa faz com que muitos aceitem o sofrimento como destino. No entanto, o poeta desmonta essa crença ao afirmar que a verdadeira causa da miséria está na ação dos “ingratos, com ódio e com guerra / tomaram-te a terra que Deus te entregou”. Dessa forma, a música se transforma em um manifesto de empatia e denúncia, valorizando a dignidade do trabalhador rural e questionando as estruturas que perpetuam sua condição.
O significado desta letra foi gerado automaticamente.



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