
Admiração
Paulinho Moska
“Admiração” e o corpo desejado que se torna lembrança
Em “Admiração”, de Paulinho Moska, o olhar vira ação: admirar é também tocar, provar, devorar. O erotismo concreto convive com o ideal afetivo de “um amor puro e verdadeiro”. O eu lírico declara “Meus olhos, famintos...” e busca “sempre um novo ângulo”, como se os olhos acariciassem. As imagens sensoriais ampliam o desejo e mapeiam o corpo: “mergulhar na sua boca de vulcão” concentra a paixão ardente; “escorregar nos rios claros das margens dos teus pelos” transforma a pele em paisagem fluida; “encontrar o ouro escondido que brilha em seus cabelos” sugere uma beleza íntima, que vai além da superfície; “devorar a fruta que te emprestou o cheiro” ativa o olfato e traz duplo sentido sexual.
Esse encantamento cresce até suspender a realidade: “Esquecer o espaço, o tempo e o viver / Perder a noção...”, quando o prazer da descoberta apaga os contornos do mundo. A curva emocional então se inverte: “Se um dia eu fui alegria ao te conhecer / Agora canto porque sinto a dor de não te ter”. A canção passa da euforia da presença ao vazio da ausência, e a admiração inicial vira lamento. No centro, Moska expõe o conflito entre desejo e idealização: o impulso físico e o “amor puro” caminham juntos, mas, quando a pessoa se vai, o que era fogo e ouro persiste apenas como memória.
O significado desta letra foi gerado automaticamente.



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