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Prêce di Um Fidjo

Paulino Vieira

Saudade e identidade em "Prêce di Um Fidjo" de Paulino Vieira

Em "Prêce di Um Fidjo", Paulino Vieira transforma a saudade em uma afirmação da identidade cabo-verdiana, mesmo diante das dificuldades enfrentadas no país natal. O verso repetido “Térra póbre ma xei de vivénsa” reconhece as limitações materiais de Cabo Verde, mas contrapõe essa realidade à riqueza de experiências e afetos, mostrando que o verdadeiro valor do lugar está nas vivências e nos laços criados ali. O pedido para que Cabo Verde ouça a “prece de um filho” expressa o desejo de manter o vínculo com a terra, sentimento muito presente entre os emigrantes cabo-verdianos.

A letra também destaca a esperança de retorno, como em “N ba vivê lá nen ke nhas últime dia”, indicando que, mesmo distante, o sonho de voltar permanece forte. As menções às festas tradicionais, como o Carnaval e São João, e à convivência com o povo local, reforçam a importância das raízes culturais e da coletividade. Quando Vieira canta “Lá tude koze é más sábe, tude koze é más dose, lá é un sabura”, ele resume o sabor único da vida em Cabo Verde, onde tudo parece mais doce e intenso. Assim, a música se torna um retrato afetivo da experiência migratória, valorizando a memória, a fé e a esperança de reencontro com a terra e as pessoas queridas.


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