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Quando Eu Abro Minha Cordeona

Pedro Ortaça

Letra

    Quando Eu Abro Minha Cordeona

    Quando eu abro minha cordeona a tristeza sai de perto
    Ela parece um ventena berrando num campo aberto
    Pois ela guarda relinchos de maleva que se empaca
    E choramingos de guacho na hora de botar vaca

    Se arreganho esta oito soco acariciando uma vaneira
    Fico louco de aporreado com as obunas da mangueira
    Do bojo da minha cordeona quando abro ela de verdade
    Salta grama de forquilha dos passos da liberdade

    (Os meus dedos nessa hora são potros que nem eu domo
    Parecem dez pica-pau fuçando num cinamomo)

    Me espicho quase uma braça e quando a saudade entaipa
    Ela se aninha no meus braços mesmo que bugio na gaita
    Se outro pegar minha cordeona peludeia e morre à míngua
    Que ela sai fazendo cósca, enfrenada embaixo da língua

    Com ela eu esquilo as penas e sempre toso a martelo
    Pois tenho penas lanudas e outras que não dão velo
    Os meus dedos nessa hora são potros que nem eu domo
    Parecem dez pica-pau fuçando num cinamomo


    Esse atropelo nos baixos duma rancheira marcada
    Ouço o tropel de um parelheiro que ganhou de cola hasteada
    Se acaso um grito de macho ouvirem num vaneirão
    É a alma do Rio Grande de a cavalo na minhas mãos


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