Poetas no Topo 5

Pineapple

[Parte I: A Sombra]

[Oruam]
Aê, bagulho é doidão mesmo, lei da atração
Tudo que é meu, é meu
Tudo que eu quero, eu consigo
E o Diabo nunca vai me fazer refém de porra nenhuma

Ele nunca foi gente da gente
Então repara o menor passando a milhão na sua frente
O Estado só mata e só mente
Minhas letras quebram minhas correntes
Desculpa não falar de flor, é que no Rio, o amor acabou
A criança que hoje cresceu e o crime abraçou
Quebro os muro de Jerusalém, quem chegou foi a revolução
Faz subir aqui e matar cem, tratando meu povo como ninguém
Não vou mentir, falar que eu tô bem se lá no morro não tá legal
E o baile já não era como antigamente
Eu acho que vocês não entendeu, eu vou lançar de novo, assim, ó
Quebro os muro de Jerusalém, quem chegou foi a revolução
Faz subir aqui e matar cem, tratando meu povo como ninguém
Não vou mentir, falar que eu tô bem se lá no morro não tá legal
E o baile já não era como antigamente

[Parte II: O Sonho]

[?]

[Sant]
Neguin era um poeta sonhador
Sonhava igual geral ao seu redor
Mas o mundo não tava a seu favor
Por coisas que eles sabia de cor
Tipo seu linguajar e sua cor
Imagina a mente do menor
Que só queria se livrar da dor
E vê que ninguém quer o seu melhor
Na busca do topo, ele tropeçou
Aí que o poeta se revoltou
Neguin é o caralho
Agora vocês vão saber quem sou
A merda vai feder em quem me pisou
Programado pra matar opressor
Ou morrer tentando valer o suor
Do jeito que o mano me ensinou
Na força do ódio, escrevendo letras de amor
Já que um bom poeta se dispõe a desatar o nó
E o mal dessa cadeia alimentar é não sentir dó
Mas mesmo ferido, o rugido é devastador
Sem caô, sem BO, malandro rimador
Não tem Christian Dior e sim Carlos Dicró
Pra cantar Foda-se, sorrindo pro terror
Dessas águas de março, eu sei, fui divisor
Eu quem mudei o rumo queimando essa flor
E quando mais esperam, sumo, Belchior

[Victor Xamã]
Reflexo vira matéria
Tudo que eu canto lembra o Sulicídio
Quando eu rimo, deuses falam comigo
Quero triunfo lembrando o Leandro
Aprendi errando a ser decisivo
Grana girando é o melhor incentivo
Essas mentiras não persuadiram
Caí do céu, eu não sou desse pico
Não me incomode, não corra perigo
Amazônia na moda, agora é fácil pra caralho tá aqui
Oportunidade pra minha terra sumiu
Pra ter um destaque, tive que dar adeus
Nem tudo vai ser sobre o código entre os meus
Sobra talento e sobra ódio entre os meus
Posso ir mais fundo até encontrar petróleo
Luz desse palco lembra Bernabeu
Me falta melanina, mas eu sou Vinicius
Inimigo não existe quando eu sou autocrítico
Norte do Brasil continua invisível
MC lucrando, rimador terrível
Até quando não quero, acabo sendo lírico
Agora, com destaque, eu grito da onde eu venho
[?]
Não convence, se contente, se contenha
Fica em silêncio
Foda-se a indústria, perdi a paciência
Suor e lágrima ter o mesmo gosto pesa
Tudo que eu rimo tem força de reza
Prazer, sou a referência da sua referência
A maturidade rouba toda a inocência
Essa vida louca nunca é o que aparenta
Não admito mais ninguém me pedindo paciência
Ei, caralho, eu previ meu sucesso (proteção)
Proteção eu peço (proteção)
Eu tô pagando o preço caro
Discussão sem pé nem cabeça
Madrugada, fio a fio, a caneta
Prepare a cabeça pro jogo injusto da rima
Reflexo vira matéria
Tudo que eu canto lembra o Sulicídio
Quando eu rimo, deuses falam comigo
Quero triunfo lembrando o Leandro
Aprendi errando a ser decisivo
Essas mentiras não persuadiram
Caí do céu, eu não sou desse pico
Eu vim do topo do mapa
Periferia do Brasa, pele morena [?]
Onde tudo é expressivo
Onde a escolha certa aperta a mão da escolha errada
De tempos em tempos, a cidade seca, depois alaga
Desce uma lágrima da onde a arte transborda da alma

[Parte III: A Ascensão]

[NandaTsunami]
Decreto que sua alma esteja preparada no aqui e no agora
Pra se alinhar a frequências cada vez mais elevadas
Infinitamente, imediatamente, para sempre
Infinitamente, imediatamente, para sempre
Infinitamente

Puta, eu não sou trapper, eu sou uma magicista
Escrevendo em linha, coisas que uma hora se tornam vivas
Fatos claros na caneta, cores pra um dia cinza
Linhas que te arrepiam como a impressão de uma leve brisa
Talvez se todo mundo que pudesse tivesse um pouquinho da mesma coragem
Estaríamos mais perto, mais alinhados com a tal da verdade
Ficou chato criticar manos perdidos em vaidade
Não ser ou ser um deles, eis a minha maior questão
Às vezes, eu taco o foda-se, eu não baixo a vibração
Tsunami, sis, onde há verdade que cê ignora
Se cê procura um caminho, eu te dou a direção agora
(Pisque uma vez se você entende o que eu quero dizer)
Que é talvez
Se cada um de nós acredita na versão de mundo melhor pra si mesmo
Talvez alguma coisa mudasse, já que o universo é criado de dentro
Pra fora e agora, recado direto pra você que escuta
Me perdoe por ter te encontrado em prol da nossa cura
Eu sinto muito por carregar uma dor tão semelhante à sua
Eu te amo, sou grata

[NandaTsunami]
E com toda fé, eu aceito conscientemente que isso se manifeste
Que se manifeste, que se manifeste

[LPT Zlatan]
Ei, é, então não pare, faça o contrário do que eles fazem (fazem)
Minha coroinha disse, eu escutei bem, nunca faça pela metade
Eu tenho meu espaço e não jogo a vitória no lixo
Tipo MC fraco que não sustenta no ato
E vem falar meu nome pra poder se aproximar do ciclo
Menor, me diz quando que ficou engraçado
Ver um moleque de quebrada ser tirado por outro mano
Que viu nosso trabalho dia a dia
[?] do nada só vem falando
Mas calma aí, eu com várias responsa
Tem meu filho, minha mãe e minha mina, eu ainda raciocinando
Mais de muitas milha pode salvar minha família
Pro topo, tô na subida e você tá se incomodando
Observando como segue o andar do jogo
Aprendendo sempre com os erros que hoje vejo
E sem sossego, eu vou caçando ouro
Tô na guerrilha e o importante é não ter medo
Na minha vida, a partida do meu pai foi cedo
Por isso que ainda eu sigo e peço mais respeito
Porque minha família tá na rua, tá no gueto
Porque minha saída tá no rap branco e preto
Porque, na corrida, eu não parei, fui mai ligeiro
Não é só por mim que eu faço essa porra direito
Mas também pra não passar vontade o meu herdeiro
Eu quero que se foda toda a oposição, esse é o enredo
Nunca fazem nada pelos nosso, eu quero o meu dinheiro
Não falo com falso traiçoeiro
Canto pelo meu povo no topo ou no leito
Topo do topo do topo e a minha mãe se orgulha
Topo do topo do topo do topo

[Parte IV: A Revolta]

[L7NNON]
Depois de Poesia e Fundamento
Deu-se início a uma nova era
Gravadoras querendo pagar pelo catálogo
Eu quero ir prum arquipélago e me desligar das tela
Vagabundo dizendo que eu tô aposentado
Entendo, porque eu também não vejo novela
2Z e TOKIODK me representando
AR Baby tá amassando, ou seja, a cena é aquela
É tipo um poeta no topo
Águia não vai discutir com corvo
A lâmpada viu que eu que sou gênio
Nós que veio do pouco, descobri que a vida é um sopro
E pra chegar aonde nós tá, vi que te falta oxigênio
Fácil criticar de casa
Difícil é estender a mão pra cada um que tá precisando de ajuda
DK47 me ensinou que se não faz pela tua área
Não adianta pedir pra que Deus nos acuda, huh
E aqui de cima, eu vi vários cair sem bungee jump
Eu vi vários castelo que terminaram em ruínas
Eu vi Abebe Bikila escrevendo Planos
Um desses planos foi ele falar preu fazer rima, mm
Se a soberba precede a queda
Eu vi vários que já caíram e tão crentes que tá abafando
Patrocinado pela Red Bull, não me gabo
Porque nessa mesma lata cês tão bafando
Um tanto quanto contraditório
Entender o valor do meu tempo no preço do meu relógio
Inimigos não vão tá vivos no meu velório
Efeito reverso do feito 2Pac e Notorious
Será que essas linha me joga no topo?
Ou será que essas linha me tira do poço?
Meus adversário tão mandando linha
Vou arrastar na mão pra eles botar no alto de novo
Crianças, prestem atenção
Porque noventa por cento da cena é tudo personagem
A internet manipula nossa visão
E essa manipulação faz tu achar que tá em desvantagem
O perfil que te oprime
Daqui a pouco vai ser o mesmo perfil, só que te aplaude
Já que nós vivemo num ringue
Eu tô me sentindo na guerra depois de quinhentos round

[AR Baby]
É bom lembrar que nós é o rap, Afrika Bambaataa
Essa daqui né pra dançar, é pra cuspir na cara
Prioridade é o morador, mesmo morador que se fodeu com os jogo
Que você divulga pra engordar sua conta bancária
Foda-se teu hype, seu double cup
[?] tem mais putas que MCs na line-up (ainda)
Mó saudade do Djonga, que de um tempo pra cá
A cena só tem regredido, só tem ficado mais podre
MC não é bandido, o Estado nem disfarça
O que fizeram co Poze é só a ponta de uma página
De tanto que forjaram, mataram nossa raça
Nós quer mais que se foda, nós morre, mas não se cala
O que pra vocês é business é a dor de uma senhora
Romantizam nossa fé [?] nossas histórias
É só você ver nos filmes quem trafica e quem compra
Pele preta vende muito, é nós que só fica com as sobras
Sobrevivente da [?], só mais um nego drama
Da onde eu vim, não cresce flores, mulheres não são santas
Maldito seja o homem que confia em outro homem
Eu não acredito em mantra, só na bala da pistola
Trocaram poetas por putas, só tem sanguessuga
Confundiram dinheiro e cultura, virou essa bagunça
Adolescente branco pela tela falando que é rua
Tropa do quê? Tropa de quem? Porra, tu nem tem luta (ainda)
Tô pelos menorzin da bala, os camelô da praia
Pouco me fodendo prao que falam, prao que você acha
Meus irmão que ainda tão no crime fala que é furada
Menor, tu nunca foi bandido, é uma puta forçada
E antes de pensar em matar, pensa em dar educação
Corta a venda do fuzil pro morro, investe nos irmão
Eles não quer que a guerra acabe porque ainda dá cifrão
Ele podia ser jogador, mas morreu com o AK na mão
Sempre a mesma história

[Parte V: O Juízo Final]

[Sid]
A história começa assim
O poeta do fim do mundo viu beleza na tristeza do seu reflexo imundo
O excesso de sua ausência criou o vazio em tudo
E o barulho do seu silêncio deixou o narrador mudo
De pouco em pouco, o pouco que conquistou mal importava
Deixou pra daqui a pouco o pouco que ele precisava
E aos poucos, poucos reconheciam o poeta que admirava
A um passo do precipício, ele cede a vez a quem viria a ser o primeiro ser arrependido
A história se repete, é o dilema do castigo
Se tem alguém bem demais, tem alguém fodido
Só existe espinho porque existe flor
Só existe pobre porque existe rico
Só existe poesia porque existe dor
A história termina assim
O poeta do fim do mundo chorava enquanto sorria
Pois descobriu o que ele já sabia
Teria que se jogar do topo, onde tudo tinha
Exceto aquilo que pertence à base: A maldita poesia

[MC Poze do Rodo]
O rapper Oruam deixou a prisão hoje à tarde no Rio de Janeiro
[?] porque o Superior Tribunal de Justiça considerou insuficientes os fundamentos pra manter a prisão preventiva
Se meus filho vê a polícia, meus filho chora
Meus filho tá com trauma de vocês
Me deixa em paz, porra


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