Exibições da letra 208

Samba-Enredo 2027 - Laroyê Xica da Silva: A História Por Trás da História

G.R.E.S. Acadêmicos do Salgueiro (RJ)

Arreda, homem, que essa preta vai girar
Meu tambor vai ecoar em resistência
Evoco as divas, as Marias, as baianas
Depravadas, puritanas, pra clamar nossa insolência
Exu comanda esse terreiro
Eis aqui o verdadeiro nome de sinhá

Francisca, Mãe da Encruzilhada, Rosa Indomada, Deusa da Rua
Na procissão da Academia, Negra Fidalguia se perpetua

Incorporei no atabaque do meu torrão
Festa de ostentação ao poder da negritude
Dilacerei as vestes da servidão
Meu corpo foi invasão, fetiche da branquitude

Nas lentes de outros olhos
O foco na nossa verdade é menor
Tal qual a trama da atriz
Que encenou, de uma vida, um capítulo só
Eu, que já fui outras Xicas, refaço o roteiro, no chão que me fez triunfar

Gira, desce o morro meu Salgueiro, meu quilombo pioneiro, renasci nesse gongá
Firma axé na segunda-feira, é macumba a noite inteira, Saravá, Alafiá

Mãe, guardiã, fruto do afã
De um ventre escravo e um nobre senhor
Matriz, mecena de toda arte, que leva em seu
Estandarte, a simples audácia do amor
Louvai, Brasil, a filha de Òrun despertou

Laroyê, Xica da Silva
Laroyê, ê Mojubá
Toda mulher tem direito à própria história
Meu Salgueiro é a memória que eu voltei pra consagrar

Composição: Zé Carlos, Carlão, Luiz Fernando, Fabiano Mattos, David Carvalho, Caio Miranda, Ian Ruas, Luana Rosa. Essa informação está errada? Nos avise.
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