
Fim Dos Dias
Thiagão e Os Kamikazes do Gueto
Meu Deus
Um adolescente de dezesseis anos matou um de dezoito com um tiro na cabeça
A média é de trinta e dois assassinatos por mês
São cerca de seiscentas ocorrências por mês, entre homicídios, roubos e tráfico de drogas
Vinte por cento dos casos envolve menores reincidentes
Salve-se, bala não tem nome e tenta se esconder
O perito vai com luva branca pra pegar você
E se envolver, olha o estrago da PT
Só metade do seu rosto pra sua mãe reconhecer
O cão atentou, cê abraçou, agora toma
Sete tiro de 9, não dá chance de entrar em coma
Mata na hora, último suspiro nem deu
Caiu no chão, não deu tempo nem de pedir perdão pra Deus
Aniquilado, foi riscado do mapa da vida
Mais um apetitoso aberto pelo legista
Mais um da lista com o crânio esfacelado
Só vai saber quem é se o Chico Xavier tiver do lado
Pra que cuidado? As bala atravessa blindado
Munição traçante deixa o corpo dilacerado
Perna prum lado, cabeça pro outro, corpo aberto
Nem sempre quem parece é que é os mais esperto
Não é todo mundo que tem cara de bobo que é bobo
Já vi cada panguão explodir o crânio dos louco
O homem, a mão de obra, as arma, matéria-prima
Tanto que cê atirou que a bala volta tipo um ímã
Maldade gera maldade, não é eu que tô falando
Só pegar a calculadora e contar os corpo dos mano
Os mano, apenas mais um número da lista
Só morrer o filho de um boy, aí deixa de ser estatística
Só vendo o sangue do seu sangue escorrer, lembrou que existe
A violência da quebrada invadindo sua suíte
Quando ver os menor na febre, vai lembrar do Apocalipse
Tanto que cê ostentou que vai morrer dentro do Eclipse
Na cobertura, leva os quadro de Portinari da madame
Se reagir, joga de ponta-cabeça sem bungee-jumping
Quem poderá te defender? Chapolin não vai passar pano
Fim dos dia, é só massacre que assusta até Nostradamus
E, nas quebrada (pá), só vejo os menor matar
Dá pra comparar com Paquistão, Kandahar
Cê quer trocar? Então, ladrão, vai se armar
Matraca calça 33 de 9 pra te estraçalhar
E, nas quebrada (pá), só vejo os menor matar
Dá pra comparar com Paquistão, Kandahar
Cê quer trocar? Então, ladrão, vai se armar
Matraca calça 33 de 9 pra te estraçalhar
Pra te deixar esticado e chei de buraco
O inimigo não tem dó, o cão atenta, os mano é fraco
Mata por nada, homicídio não leva a nada
Só dá lucro po Capeta e pros dono de funerária
Usa seu ódio na BR-323 carregando crack
Pra dar ibope po cuzão do DENARC
Ou então pra enquadrar, levar o boy de Honda
Faz o que o sistema quer, os oitão em vez de diploma
Apetite não falta, motivo tem de monte
Deixa rosto desfigurado na frente do McDonald
A vítima reage, na noia, os mano atira
É mais um boy cuspindo sangue no banco da Zafira
Só monstro rendendo o empresário de Pajero
Na frente da família, deixa filho em desespero
Sempre achou o pai herói, agora vê ele chorando
Ajoelhado, implorando pra não levar tiro no crânio
Seu pai não é herói, superlouco é os moleque
De touca, blusona preta e, na cinta, o 357
Que volta pra quebrada cos cartão, talão de cheque
Com dinheiro, herói na vila, no rolê com a Alpha MAC
Click-clack, no sinal, levou a sua Fazer
Com uma faca Tramontina, dispensa as mira a laser
Ei, Jão, mundão tá louco, na picadilha, só monstro
Al-Qaeda, PCC, as FARC, só criminoso
Bin Laden, Beira-Mar, Abadia, ó o time
Os moleque não se espelha no Gugu, é no crime
Que choca, aterroriza, a sociedade se alarma
Colete à prova de bala não protege os tiro na cara
Um deles, menor de dezesseis anos, atirou três vezes
Uma das balas atingiu a cabeça da moça
E, nas quebrada (pá), só vejo os menor matar
Dá pra comparar com Paquistão, Kandahar
Cê quer trocar? Então, ladrão, vai se armar
Matraca calça 33 de 9 pra te estraçalhar
E, nas quebrada (pá), só vejo os menor matar
Dá pra comparar com Paquistão, Kandahar
Cê quer trocar? Então, ladrão, vai se armar
Matraca calça 33 de 9 pra te estraçalhar
Não é por nada, meu nobre guerreiro, vai vendo, parceiro
Subordinar respeito aqui nesse novo milênio
Não é procê, nem pra mim, nem que for até o fim
Engatilhando, mirando contra o sistema e atirando
Rajadas, rajadas de denúncia e informação
Embora, pra sociedade, nós somo tudo ladrão
(Que se foda) KLB, o Latino e a Madonna
Se, na mira das PT da RONE, a favela entra em coma
Também quero carro zero, piscina aquecida
Do que só ter um teto e lágrimas na visita
Embaçado, imagina como seria da hora
Faculdade no exterior, ser turista na Europa
Ou então pagar de pá, fazer autoridade tremer
Psicointelectual, pós-graduado, PhD
Em ciências sociais, artes ultraculturais
Do que ter corpos carbonizados nos canaviais
E o safado que talaricou, noia que catou
O botijão da própria mãe e a lojinha caguetou
Fora as balas que atravessam, infelizmente ferindo nas creche
O futuro da nação ainda moleque
Sou mais um que já escreveu mais de dez centenas de rima
Que também aqui na rua, assalto, resgate, chacina
Que foi té locutor de atrocidade criminal
Procê ver que a cegonha seis blindada no sinal
Quando o pé pisa no chão, sem colete, proteção
Alvo fácil pro moleque de quinze catar co oitão
E, nas quebradas, só vejo os menor matar
Aqueles que prefere o crime do que estudar
Pra, no amanhã, serem professores ou até engenheiros
Ao invés de ordenar a morte de outro carcereiro
É o fim dos dias, tá chegando, meu amado
Esteja pronto, preparado e bem armado




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