Uma Canção Para Babalon
Poeticus Severus
Na doce suave noite
Tua glória faz mister
No tormento do açoite
Tua lembrança bem-me-quer
A fronte vejo serena
Esperança em teu seio
Na voz obscena novena
No colo, conforto esteio
Percebendo teu aroma
Eis que nasce um rebento
Que logra a vida, mas toma
Meu ser de paixão sedento
E antes do sono final
Despertas desejo atroz
Feroz concluio animal
Rogo-te: Sejas meu algoz
Pois teu olhar convite é
E dando-me sem vacilar
Mergulho em ti, Salomé
Para teu ventre semear
Tua boca é paixão
Marcas de meu martírio
Loucura, saber, união
Que traz cego delírio
Na volúpia do prazer
Revela-te, aparição!
És muito mais que meu querer
Adorável assombração
Mostrando-te em verdade
Horror dos horrores tu és!
Abjeta realidade
Sonho de todos infiéis
Contudo, vil que pareças
És, da vida, a herdeira
Teu cálice é soberba
Fantástica feiticeira
Assim linda poesia
Vem para o meu ser ambrear
E com tua maestria
Ensina-me o teu sonhar
Meu êxtase sequioso
Adorável demônia
Toma este meu gozo
Consorte, Babilônia!
Provo, toda tua gnose
Mas agora, a ambrosia
Verto, em uma só dose
Tua doce poesia
És pérola consagrada
Oh! Sentença afrodita
Meu peito rasga, e brada
Ararita, Ararita!



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